Sou professor e ser professor, assim como outra profissão, é uma opção de vida. É uma decisão individual.
Hoje, 15 de outubro é o dia do professor. Mas, todos os dias é dia do professor, assim como todos os dias é dia da criança, dia das mães e dia dos pais.
Posso lamentar pela especificidade do dia não influenciar as pessoas em presentear-me, assim como fazem em outras datas. No entanto, há de se considerar o meu lamento pela forma com que a sociedade discursa sobre o papel estratégico do professor na educação das crianças e jovens e pela forma que ela age e reage. São, infelizmente, eventos que revelam a incoerência entre o pensar, falar e fazer.
Perdoem-me aqueles que buscam, por buscar, reconhecimento da sociedade e do governo quanto à “valorização do professor”, traduzidos em atos materiais. O reconhecimento material concorde-se ou não, é decorrência da atitude espiritual e pessoal do professor.
Não sou sacerdote, sou uma pessoa que assumiu a consciente atribuição e a responsabilidade de trabalhar na e pela educação das pessoas, com a missão individual e coletiva, de prepará-las, complementarmente à família, a exercerem a sua cidadania em uma nação democrática, o Brasil.
Minha responsabilidade é com o futuro dessas gerações e, o futuro, esse desconhecido, às vezes parece-me promissor, quando a esperança predomina, às vezes parece-me preocupante, cinzento, quando o ceticismo predomina.
Os dois cenários, o promissor e o preocupante constroem-se no traçado da nossa história de vida e recebem a marca das nossas concepções sobre o mundo e sobre como vemos as coisas, como as filtramos e com quais lentes as vemos.
É difícil para mim pessoa-professor ficar neutro frente à realidade, ainda mais quando ela nos mostra a superação humana, como é o exemplo recente sobre os 33 mineiros no Chile ou quando nos revela as faces do analfabetismo, da fome e da miséria, que a minha geração não conseguiu eliminar.
O sociólogo francês Edgar Morin, em seu inspirado e magnífico texto sobre os Sete Saberes da Educação do Futuro, traz-nos uma rica e densa contribuição para a pessoa-professor, revelando o que é a pessoa, o sujeito professor e o que poderá ser, se quiser “ser”.
É impossível ficar neutro, após a leitura e reflexão da abordagem que Morin faz sobre o conhecimento, o ensinar, o planeta Terra, o ser cósmico, o espírito humano, etc.
Esses temas, de suma importância para a nossa prática de pessoa-professor, não elimina ou ofusca a necessidade de termos uma atitude positiva e propositiva quanto à valorização funcional e salarial do professor, na mesma medida que nós não podemos ficar indiferentes ao comportamento desabonador de “colegas” professores, que observamos em nosso ambiente de trabalho: a escola.
A qualidade da educação, tão cantada e falada, é uma atitude da mente e do coração. Existem milhares de exemplos nesse sentido, de escolas, professores ou mesmo de pessoas que se envolvem em ações educacionais, em ambientes que nos surpreendem pela simplicidade, dificuldade de acesso, localidade, perfil da comunidade, etc.
Por que deram certo? Porquê, além da atitude da mente e do coração, o Amor e a Bondade pelo próximo, superam obstáculos, incompreensões, ceticismo e desesperança.
Se considerarmos a educação como estratégia de crescimento, evolução e desenvolvimento contínuo da sociedade democrática e livre e, ao mesmo tempo, se construirmos um cenário possível e promissor, identificando o professor nesse cenário, estaremos vislumbrando como todas essas partes podem se encaixar e serem solidárias nesse processo e, também, como podem e devem ser fortes e coesas frente à irracionalidade humana, a tirania, ao analfabetismo, a fome e a miséria.
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